sexta-feira,
30 de janeiro de 2009, 10:34
Seguros para educação protegem colégios da
inadimplência
Serviço, que chega a 2% da mensalidade (ou 10%, em contratações
isoladas) começa a ser parte do contrato
SÃO PAULO - Atrasos e não pagamento das mensalidades,
alimentados pela perda de empregos em virtude da crise econômica,
têm levado escolas e universidades a se precaver.
A procura
por seguro educacional cresceu 291% no País no
ano passado. Só em outubro de 2008, as seguradoras arrecadaram
R$ 6,9 milhões com a vendas de seguros educacionais.
No mesmo mês do ano anterior, a modalidade tinha movimentado
R$ 1,7 milhão, segundo a Federação Nacional
de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), que representa 86
empresas.
O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São
Paulo (Sieeesp) informou que o impacto da crise nas matrículas
este ano só deve ficar mais claro em fins de fevereiro. Na
capital, a inadimplência nas instituições particulares
de ensino teve um ligeiro aumento de 2007 para 2008: passou de 9,45%
para 9,97%. A média do Estado ficou em 8,67%.
O seguro custa aos colégios em torno de 2% do valor da mensalidade.
E cobre por três a seis meses as despesas em caso de desemprego
do aluno ou do seu responsável.
Na Emerson Capaz Seguros a taxa
de procura por planos de seguro educacional subiu mais de 10%.
Hoje, a empresa tem 3.455
segurados com esse tipo de apólice.
"O índice de inadimplência de quase 10% já é muito
alto e o setor sente o impacto disso no dia-a-dia, porque as escolas
têm custos altos, precisam desse capital de giro para manter
a qualidade do ensino", afirma o presidente do Sieeesp, Benjamin
Ribeiro da Silva. "As escolas estão se calçando,
se precavendo contra a iminência de uma onda de desemprego",
afirma Airton Fernandes da Silva, dono da escola infantil Agapitto,
em Osasco. No segundo semestre de 2008, a taxa de inadimplência
no estabelecimento chegou a 20%. "Para uma escola que tem 200
e poucos alunos, esse número é um problema."
O Colégio Padre Anchieta, que contrata o seguro educacional
desde 1992, já teve períodos em que 20 alunos ficaram
com os pais desempregados. "No começo o serviço
era opcional, mas depois decidimos contratar pela escola, já que
nossa clientela é diferenciada, só precisa de um tempo
para arranjar outro emprego e organizar as despesas", diz o
presidente da entidade mantenedora do colégio, José Antônio
Antiorio. Para garantir o direito ao seguro, o pai precisa ter emprego
formal há pelo menos um ano.
A mensalidade do Anchieta, que tem 1,2 mil alunos matriculados,
custa de R$ 500 a R$ 800. "Temos poucos casos de inadimplência,
mas são dívidas altas. Isso complica o dia-a-dia da
escola, porque não podemos atrasar salário de professor."
Para fugir da inadimplência
Saber exatamente o custo anual do colégio, ler bem o contrato
e ter em mãos já no início do ano todo o cronograma
de passeios - as chamadas atividades extraclasse, muitas vezes cobradas à parte.
Essas são algumas orientações passadas por especialistas
da Fundação Procon-SP a pais e estudantes para evitar
problemas com escolas. Levantamento feito a pedido do Estado pelo órgão
de defesa do consumidor mostra que entre janeiro e setembro de 2008
foram registradas 336 reclamações contra estabelecimentos
de ensino particulares - o que também inclui ensino superior.
No mesmo período do ano anterior, o Procon tinham recebido
255 queixas. No topo do ranking das queixas dos consumidores em 2008
está a cobrança indevida (117), seguida do não
fornecimento de documentos em casos de inadimplência (56).
Assistente de direção do Procon, Selma do Amaral ressalta
que a maioria das reclamações são contra instituições
de ensino superior. "Acredito que os pais de alunos da educação
básica ainda têm receio de reclamar da escola. Mas,
apesar de não termos muitas queixas contra os colégios,
sempre consideramos grave uma reclamação, porque educação é um
serviço essencial."
Selma ressalta que, em caso de inadimplência, os pais têm
de exigir seus direitos, como o de poder fazer transferência
de escola ou ter a garantia de que o filho não vai sofrer
nenhum constrangimento ou sanção pedagógica
pela falta de pagamento. Leia abaixo esclarecimentos do Procon sobre
atitudes abusivas de escolas.
O que não pode
• Multa de mora superior a 2%
• Durante o ano letivo aplicar sanção em virtude da
inadimplência, como colocar listas de alunos em débito
nas paredes da escola ou proibi-lo de entrar em aula
• Cobrar matrícula
isolada.
• A escola tem de passar o custo anual
total com 45 dias de antecedência do prazo final para a inscrição
do aluno. Com isso, o consumidor pode decidir pela matrícula
sem ser induzido ao erro. • O valor que o consumidor paga pela matrícula
tem de fazer parte desse valor anual • Omitir o número
de alunos por sala.
• A escola é obrigada
a informar quantos alunos estarão matriculados em uma mesma
turma
• Negar-se a fornecer documentos como histórico escolar para
o aluno inadimplente fazer a transferência de escola. O pai
tem o direito de matricular seu filho numa escola mais barata
• Cadastrar o nome do inadimplente em serviços de proteção
ao crédito ou no Cadastro Nacional da Educação
Básica (Cineb), criado como uma espécie de Serasa no
qual escolas trocariam informações sobre pais e estudantes
com histórico de maus pagadores
• Informar sobre passeios e atividades extraclasse em cima
da hora e descontar nota daqueles que não puderam ir. A informação
prévia é um direito básico do pai, de acordo
com o Código de Defesa do Consumidor
• Incluir na lista de material itens de manutenção
da escola, como papel higiênico, copo descartável para água
e café. O pai também não pode ser obrigado a
comprar o material só na escola ou num estabelecimento específico.
http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid315558,0.htm
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